Lançado no início de agosto para tirar do papel a maior realização do governo paulista na área de infraestrutura, o edital para concessão dos trechos Sul e Leste do Rodoanel no entorno dã cidade de São Paulo corre o risco de parar no meio do caminho. O modelo escolhido pelo governo está sendo duramente criticado por representantes do setor privado - instituições financeiras, concessionárias e outros investidores - devido a uma combinação inovadora de alto risco e baixo retorno. Existem insatisfeitos em diferentes graus, mas há quem afirme que ficará de fora e acredite que o edital traz todas as características de uma licitação deserta, ou seja, sem nenhuma proposta.O governo paulista está testando na licitação do Rodoanel uma mudança no modelo de concessões rodoviárias. No novo sistema caberá ao setor privado a gestão do trecho Sul, já pronto e funcionando, e simultaneamente a construção e operação do trecho Leste. No jargão do setor, é um projeto do tipo greenfield, erguido a partir do zero, algo inédito no ramo rodoviário. Mas as críticas se concentram em um ponto: os riscos ambientais e os custos decorrentes das desapropriações ficarão a cargo das empresas.
No modelo tradicional de concessões rodoviárias, usado pelo governo paulista na concessão do trecho Oeste do Rodoanel, o Estado se responsabiliza pela construção da obra e o ativo é entregue pronto à inciativa privada, em troca do pagamento de uma outorga. No caso do trecho Oeste do Rodoanel, deu certo: a concessionária de rodovias CCR levou o trecho, ofereceu um deságio de 61% no pedágio sugerido e ainda pagou uma outorga de R$ 2 bilhões pelo trecho.