A Bolívia espera que a Petrobras "se anime" a investir mais no país, admite que a falta de investimento das grandes petroleiras é um problema que se reflete na queda das reservas bolivianas, mas, mesmo assim, não pretende criar mais facilidades para o setor privado. Em entrevista ao Valor, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, reconhece a tímida capacidade estatal e diz que o governo do presidente Evo Morales manterá uma linha dura com a iniciativa privada e que não deve incluir nenhuma facilidade em uma futura nova lei do gás.
Linera é um vice cujo papel difere dos demais que ocuparam discretamente o segundo posto de comando no país. É descrito por alguns como uma espécie de primeiro-ministro, o homem que tem sob sua responsabilidade a gestão de temas técnicos dos ministérios e a quem cabe dar um lustro teórico, acadêmico, a decisões e medidas do governo liderado por um ex-plantador de folha de coca. Linera envolveu-se com a luta armada de esquerda nos anos 90 e mais tarde graduou-se em matemática.