José Malta, presidente do grupo Bertin, diz que a empresa fechou boa parte dos financiamentos e já colocou R$ 450 milhões em capital próprio
A menos de dois meses da data oficial na qual deveria colocar em operação sete usinas termelétricas com capacidade de 1.400 megawatts (MW), o grupo Bertin tenta desafiar o calendário e a engenharia. As licenças ambientais foram obtidas há menos de dois meses, as turbinas sequer embarcaram rumo ao Brasil vindas da Europa e Estados Unidos, mas mesmo assim o grupo garante que elas estarão operando a partir de fevereiro. Mas os desafios não param por aí. Em pouco mais de dois anos a empresa ainda precisa erguer outras 23 usinas termelétricas que juntas vão somar 5.000 MW. Nesse curto espaço de tempo, o grupo terá que bancar R$ 7,5 bilhões para colocar os empreendimentos em operação.
As térmicas atrasadas do Bertin fazem parte de um grupo de pelo menos 2.400 MW vendidos entre 2007 e 2008 em leilões do governo federal que estão com seus cronogramas comprometidos. Além do grupo que se originou do frigorífico do mesmo nome, outra empresa com problemas é a Multiner, que tenta colocar em funcionamento 660 MW. Metade disso deveria ter começado este ano, mas por problemas de licenciamento não tem mais data para operar. Já a outra metade, prevista para janeiro de 2011, não deve ficar pronta antes do segundo semestre, apesar de as turbinas também já estarem prontas para serem embarcadas, a exemplo do caso do Bertin.