A dois meses da data marcada para o leilão do trem-bala, o quebra-cabeça financeiro que envolve o projeto e o alto preço exigido para entrar na disputa da obra mais cara do governo federal têm aplacado o interesse das empreiteiras brasileiras pelo negócio bilionário. Como as demais companhias mais interessadas em disputar a construção do trem de alta velocidade (TAV), a francesa Alstom tem enfrentado dificuldades para convencer grandes construtoras a encarar um projeto que, para ela mesma, ainda tem inconsistências.
Em entrevista ao Valor, o presidente da Alstom no Brasil, Philippe Delleur, afirmou que a companhia ainda não fechou acordo com empreiteiras locais, embora mantenha conversas com companhias do setor. Os empresários da construção civil não estão convencidos de que vale a pena bancar o projeto. "As construtoras têm o conhecimento do que é necessário para realizar um projeto dessa magnitude, mas querem aplicar em algo que dê retorno", diz Delleur.