Siderúrgicas apostam alto na mineração para melhorar os resultados e, mais do que obter a autossuficiência, querem disputar o mercado externo
A Vale, segunda maior mineradora do mundo, está sendo atacada por rivais inusitados: seus próprios clientes, as siderúrgicas nacionais. As companhias investem cada vez mais em produção própria de minério de ferro, não apenas para suprir seu consumo, mas também para exportar o excedente ao aquecido mercado mundial. O movimento de verticalização, que começa a ameaçar o mercado da companhia liderada pelo executivo Murilo Ferreira, começou de maneira defensiva, há alguns anos, como reação à forte alta de preços de matéria-prima. “Os investimentos em mineração vieram para ficar”, afirma o presidente do Instituto de Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes. “Em todo o mundo, só serão rentáveis as siderúrgicas verticalizadas.”
Mais recentemente, cresceram os investimentos para expandir a atividade mineradora além das necessidades de produção: são mais de R$ 22 bilhões previstos para os próximos quatro anos, pelas quatro grandes siderúrgicas que operam no País: a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Usiminas, a Gerdau e a ArcelorMittal. A razão para a euforia em torno do minério é a alta de preços muito superior à dos produtos siderúrgicos. A tonelada de minério disparou 160% nos últimos dois anos, com o apetite chinês pela commodity. O cenário é inverso no setor siderúrgico: o laminado subiu apenas 30,9%, com a sobreoferta mundial de aço.