Com queda de até 90% do faturamento, empresas enxugam estruturas e tentam mudar o perfil para conseguir sobreviver
Com dois novos contratos em mãos, a construtora Geosonda acreditava que 2015 seria um ano de faturamento gordo, apesar de a Operação Lava Jato já ter mostrado a sua cara ao setor naquela época. Especializada em fundações e rebaixamento do lençol freático, a empreiteira não pensou duas vezes antes de se endividar e importar um guindaste para tocar a obra. Após meses de espera, o equipamento chegou. Mas, do Porto de Santos, foi direto para um galpão da empresa em Cotia, na Grande São Paulo, e está até hoje parado. A obra onde o guindaste seria instalado foi suspensa por falta de verba.
A partir daí, a companhia, que tem 70 anos no mercado, entrou numa maré de notícias ruins. Além do empreendimento suspenso, até hoje não recebeu pelos serviços prestados a uma empresa que rescindiu contrato com o governo do Estado de São Paulo. De 2015 para cá, o faturamento da construtora caiu pela metade, e o quadro de funcionários também. “Atualmente somos mais uma empresa de renegociação com bancos do que uma construtora”, afirma o presidente da companhia, Clovis Salioni. Para o executivo, que já passou por várias crises e planos econômicos no País, a situação atual do setor é a pior. “Hoje vivemos a impossibilidade de planejar o amanhã.”